quinta-feira, 5 de janeiro de 2023

Documentário do Olavo Bilac " A dois passos de você".


Alunos do Olavo Bilac produzem documentário "A dois passos de Wakanda"















Projeto foi culminância da comemoração do dia da Consciência Negra

 


 

Os alunos do Colégio Estadual Olavo Bilac, em Aracaju, tiveram na noite de segunda-feira, 20, a oportunidade inédita de se verem na tela do cinema como atores e protagonistas. No auditório da unidade de ensino, estudantes do 9º ao 3º ano puderam assistir ao documentário "A dois passos de Wakanda", produzido por eles mesmos, com a coordenação do professor de História, Jairton Peterson.

 

O projeto teve início no mês de março, quando a professora Jaciara Castro, vice-presidente da Organização Não Governamental (ONG) CrerSer, juntamente com o professor Jairton, tiveram a ideia de levar os estudantes ao cinema para assistirem ao filme "Pantera Negra". Através de doações de colaboradores e amigos, a ONG conseguiu pagar o ingresso dos alunos, muitos dos quais nunca haviam estado em uma sala de cinema na vida.

 

"Tive essa ideia quando, um dia, fui ao cinema com minha filha assistir ao filme ‘Pantera Negra' e percebi que, embora o protagonista fosse um herói negro, havia poucas pessoas na plateia que eram negras. Então levamos os alunos ao cinema, depois fomos ao Parque da Sementeira, onde eles desfrutaram de um momento de lazer, lanche e palestras que contextualizaram o filme dentro da realidade brasileira", explicou.

 

Documentário

 

O documentário "A dois passos de Wakanda" mostra todo o percurso de ida dos alunos do Olavo Bilac até o cinema, além de depoimentos dos próprios estudantes, que falaram sobre a importância daquele momento para eles. O professor Jairton Peterson destacou o quanto essa experiência pode mudar a vida dos estudantes.

 

"Aqui é uma comunidade muito pobre. O Santos Dumont é um bairro violento. A ideia do projeto é fazer com que eles se tornem protagonistas da história deles e que se percebam na tela enquanto artistas da própria vida, como atores principais, e não como coadjuvantes. Queremos que os alunos percebam que são agentes ativos da história e que a educação pública está ao lado deles; que o colégio é algo que vai agregá-los e não separá-los", disse.

 

O documentário, de aproximadamente 15 minutos, foi produzido pelo professor Bruno Farias, juntamente com os alunos. A filmagem foi feita no mês de março e, posteriormente, no mês de agosto, houve a produção dos cartazes para divulgação. "Wakanda é a referência de um local de resgate do negro como força, como ser tecnológico e protagonista da sua vida, para que os alunos vejam que a vida deles vai além da violência cotidiana que observam. Eles precisam se perceber como agentes históricos, produtores do conhecimento, como pessoas que valorizam a sua identidade", afirmou o professor Jairton Peterson.

 

Além da exibição do documentário, a culminância contou com a apresentação do cantor Max Nascimento, que é ex-aluno do Olavo Bilac e que também deu um depoimento emocionante sobre sua história de vida. O grupo NSD Crew fez uma apresentação de dança, e o evento contou ainda com a palestra da professora Carine Mangueira. "Queremos empoderar esses jovens para que eles se entendam como protagonistas e consigam ter as referências negras positivas. Tentamos fazer com que enxerguem que a consciência negra não vai conseguir ser exteriorizada se eles primeiro não interiorizarem como algo positivo", declarou Carine.

 

A vice-presidente da ONG CrerSer, Jaciara Castro, falou ainda sobre o objetivo da ação. "Precisamos dar visibilidade a esses jovens, porque muitos se sentem invisíveis dentro da sociedade. Isso com certeza eleva a autoestima e, mais do que isso, é importante mostrar que eles não podem desistir, porque, por mais difícil que a vida seja, sempre terá alguém para abrir caminhos", disse.

 

Experiência

 

Os estudantes que participaram do documentário disseram que ir ao cinema e depois se verem na tela foram experiências únicas em suas vidas, que trouxeram ensinamentos. Foi o caso de Hugo Leonardo, do 2º ano. "Foi uma das melhores coisas na minha vida; me abriu muitas portas e me fez ver coisas em que nunca havia prestado atenção. Me trouxe conhecimento e a valorização da minha raiz", disse.

 

Já a aluna Jenifer Bomfim, do 1º ano, disse que o projeto trouxe benefícios a ela e a seus amigos. "Muitos dos meus colegas nunca haviam ido ao cinema. Isso foi importante para eles. Ainda nos falta bastante representatividade, então participar desse projeto e depois se ver na tela, como está acontecendo hoje, é uma forma de reconhecimento", declarou.

 

Wanderson Santos, do 2º ano, não escondeu sua emoção por ter participado do documentário. "Tivemos essa oportunidade de fazer um passeio, assistir a um bom filme, fomos muito bem tratados. Aprendi muitas coisas sobre a cultura africana. Penso que foi um grande avanço para a nossa comunidade a gente ir ao cinema e participar de um curta metragem, oportunidade que antes nunca tivemos", afirmou.

 

Quem também participou foi a aluna Maria Bárbara Santos, que disse ter aprendido sobre culturas que não conhecia antes. "Isso vai me levar muito longe. Aprendi que nada deve ser conquistado com a força do braço, mas através do diálogo. Esse projeto nos valorizou bastante porque muitos de nós nunca tivemos essa oportunidade, e isso mostra que a escola se importa com a gente", disse.

 






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